Semana Santa

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Semana Santa. Fogaréu. Catolicismo Popular. Goiás Velho. GO. Quinta-feira Santa. Desde 1745

Semana Santa

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Semana Santa. Fogaréu. Catolicismo Popular. Goiás Velho. GO. Quinta-feira Santa. Desde 1745

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Semana Santa


Quarenta homens a pé com tochas nas mãos caminhando pelas ladeiras de uma cidade. Com túnicas e capuzes, andam por horas sem cessar: procuram pelo quê ou por quem? Atrás deles, vão milhares de outros para observar e ajudar. O grupo aumenta sob a luz de uma lua que marca a repetição dessa história há quase dois mil anos.

“Quem perde a capacidade de maravilhar-se, perde a espiritualidade”

Dom Eugenio Rixen

Apesar das vestes medievais de uma história de um Jesus que andava por um lugar bem distante, a cena acontece anualmente às Quintas-feiras Santas na pequena Goiás no interior do Brasil. No centro histórico, região da cidade que é patrimônio da humanidade. Há mais de 270 anos, a encenação da perseguição de Cristo acontece a 150 quilômetros de Brasília e move as energias da cidade e seus 25 mil habitantes que dedicam uma semana de eventos para celebrar a paixão e morte do Cristo: são missas, serestas, procissões... a Semana é toda Santa nesse lugar tão dentro do Brasil.

Na quinta-feira, à meia noite, as luzes da cidade são apagadas e o ritmo dos passos é compassado pelo ritmo dos tambores. Saem da porta da Igreja da Boa Morte, soldados romanos que prenderam Jesus: são personagens conhecidos como farricocos e vão em direção à Igreja de Nossa Senhora do Rosário onde estará montada a mesa da Última Ceia. Em suas mãos, lamparinas que, além da claridade, ambientam também o cenário com o cheiro do querosene. Suas vozes entoam versos em latim chamados motetos. Chegam depois à Igreja São Francisco de Paula, que remete ao Jardim das Oliveiras, para representar a prisão do Cristo. De branco, um dos homens passa a carregar um estandarte: um pano que simboliza o corpo de Jesus.

 

“O Brasil não é filho de Descartes,

Aqui falamos:

Sinto, logo existe”

Dom Eugenio Rixen

Uma fé muito mais emocional do que racional requer da contação de histórias uma série de performances. E o retorno dos fiéis é também performático: abraços, toques, beijos. Nas pessoas e em todos os objetos que apresentam significados sagrados ao longo de um ritual. Um pedaço de pano que vira Jesus, um tecido que era cotidiano e que passa a ser tocado com beijos de respeito e amor.

Desde 1745, o Fogaréu atrai visitantes e turistas interessados em sentir na pele uma manifestação do que é o Sagrado para o cristianismo: de perto, devagar, de verdade.

 

“A religião ajuda muito a manter a socialização das comunidades no Brasil”

Dom Eugenio Rixen

E com os outros. Grupos escolares, vizinhos, famílias, amigos. Juntos e de mãos dadas, vão chegando os que são próximos. De muitos fios, as costuras de uma história encenada. Latas catadas por tudo quanto é canto, ladainha preparada na ponta da língua, quaresma ali é de muita labuta em comunidade: somente para uma das horas de uma Semana inesquecível: Santa.

Perto, estão outros semelhantes com alguma nova história a contar. São quarenta voluntários que, por baixo dos tantos panos brilhantes, são pessoas comuns de um mesmo Rosário de vida. A cada ritual, uma conta. A cada emoção, um conto novo a compartilhar.

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Dom Eugênio Rixen

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