Povo Yawanawá

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Povo Yanawaná. Bira Yawanawá. Terra Indígena Gregório Rosário. Acre. População de menos de 1000 pessoas

Povo Yawanawá

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Povo Yanawaná. Bira Yawanawá. Terra Indígena Gregório Rosário. Acre. População de menos de 1000 pessoas

Álbum

Povo Yawanawá

 

Chupar o coração de uma cobra sucuri, derrubar uma colmeia de abelhas, fazer abstinência sexual e ingerir Ayahuasca, pimenta, rapé de tabaco.

“Eu não falo de religião. Eu falo de espiritualidade porque é algo sagrado e soberano: não tem cor, não tem raça, não tem língua”

Cacique Bira Yawanawá

Essas são algumas das muitas atividades para a formação do líder espiritual - o xamã - do povo Yawanawá que vive no Acre, Norte do Brasil, e que teve seu primeiro contato com o homem branco há poucas gerações atrás. A disseminação dos cantos de cura e das rezas do grupo de cerca de mil indígenas do tronco linguístico Pano fazem deles algumas das principais lideranças quando o assunto é espiritualidade no Brasil.

A Shuãnka, reza Yawanawá o assopro e a xinaya - quando o rezador ingere Ayahuasca e faz pedidos sobre um pote cheio de caiçuma de mandioca que o doente beberá - são algumas das mais conhecidas técnicas de cura xamânica desse povo. O diagnóstico e receita de doenças são estabelecidos a partir da análise do sonho que o paciente teve antes de adoecer.

De um sapo que gosta de viver próximo a igapós, em árvores ou no chão, perto da água ou em terra firme… Os Yawanawá extraem um veneno para aplicar como estimulante e remédio poderoso: Kambô que primeiro causa vômitos e suores, mas que em seguida limpa o corpo - e o espírito - de quaisquer males instalados.

Cura e sagrado também são sinônimo de artes para os Yawanawá: nos rituais espirituais é quando mais aparecem as cerâmicas, as cestarias e as pinturas corporais feitas de urucum e jenipapo. Saias de palha de buriti, cocares e braceletes: assim se apresentam os Yawanawá para uma de suas principais festas, o festival Mariri. Celebrado durante a noite e aberto para povos vizinhos e convidados de todo o mundo, é uma grande roda de danças e cantos que bordam histórias da visão de mundo desse povo que, para alcançar a linguagem espiritual, bebe Ayahuasca.

Zelando pela manutenção dos saberes do seu povo, o cacique Bira é respeitado no Brasil e em todo o mundo pelo movimento de resgate e abertura dos saberes indígenas promovido na aldeia que ele próprio nomeou de Nova Esperança. É ele quem garante que em suas terras não entrem o que considera as grandes mazelas: a televisão e as bebidas alcoólicas.

“Nunca nos chamaram de Yawanawá,

nos chamavam de caboclo,

uma palavra que no Brasil significava sem origem,

logo pra nós que somos filhos da terra!”

Cacique Bira Yawanawá

Um dos primeiros a sair da sua terra para a cidade, com 17 anos Bira foi estudar em Rio Branco, capital do Acre: até então ele não conhecia poste de luz, carros e vitrines. Impressionado com as tecnologias do homem branco, Bira também tomou conhecimento dos direitos - sobre a terra, a sua cultura e o seu modo de vida - do seu povo. Aos dezoito anos de idade, já fazia parte ativamente do Movimento Indígena Brasileiro e em 1992, quando esteve presente na Conferência Eco 92 sobre o meio ambiente, já tinha conhecido várias cidades da América Latina em palestras e discussões.

Naquele tempo, Bira tinha vontade de ser acadêmico e de se tornar antropólogo: os anos de tantos preconceitos vividos tinham implantado nele uma certa timidez por ser “somente” indígena. Aos poucos e de tanto andar pelo mundo branco, o fortalecimento de seu autoconhecimento e auto estima o levaram a entender: já era e sempre tinha sido tudo que ele precisava ser, um Yawanawá.

Dez anos após sair em direção à cidade, ele voltou com a intenção de fortalecer o seu povo com tudo que tinha aprendido. Em uma região sem a energia de dor e violência do passado de semi-escravidão no período de extrativismo de látex, construiu Nova Esperança na aldeia onde hoje mora e trabalha para formar seus parentes para falar com “os grandes sábios que vieram pelas águas”.

“Vamos levar a nossa cultura para o mundo acadêmico.

Com respeito e dignidade.

Vamos levar nossa mensagem de humanidade para o mundo científico”

Cacique Bira Yawanawá

Incluindo alguns de seus filhos, Bira ajudou a erguer o que ele chama de a geração mais preparada de indígenas brasileiros: hoje já são mais de vinte  acadêmicos, incluindo quatro  médicos. Cientes de sua capacidade e fortalecidos em sua origem, os jovens Yawanawá estão conectados com todo o mundo e tiveram a oportunidade de aprender como se expressar em qualquer ocasião. Tudo isso sem deixar de aprender sua cultura e costumes. São profissionais da saúde que podem receitar o que encontramos nas farmácias ou no mato, são especialistas que leem livros e sabem entoar canções de cura.

“Não podemos envelhecer sem deixar um legado na terra,

sem deixar os passos em cima da terra”

Cacique Bira Yawanawá

Em comum entre todos eles: o trânsito livre pelos caminhos que escolher, a certeza de que seu endereço é perto de alguma fonte dos maiores mananciais de água doce do mundo. Quanto mais andam, mais sonham que seus melhores frutos serão colhidos na sombra de uma floresta que de tão grande é Amazônica… Sua colheita será compartilhada com uma aldeia global que irá em busca de sua sabedoria, onde se escondem os sapos cujo veneno liberta e o vento das avós abraçam. Sonho = futuro, dicionário Yawanawá.

Entrevistas

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