Povo Mehinako

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Povo Mehinako. Aldeia Utawana. Mato Grosso. População de menos de 300 pessoas

Povo Mehinako

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Povo Mehinako. Aldeia Utawana. Mato Grosso. População de menos de 300 pessoas

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Povo Mehinako

 

São três milhões de hectares no sul da floresta Amazônica e noroeste do estado do Mato Grosso: em 1961, um grupo formado pelo Governo do Brasil, a Fundação Nacional do Índio e especialistas decidiu… naquele lugar do mapa seria desenhado um parque. Mas, não seria um parque qualquer e sim o Nacional do Xingu: uma reserva natural com a promessa de ser um lugar onde indígenas e natureza iriam viver em harmonia e protegidos do avanço do desenvolvimento país adentro.

Entre os habitantes do parque estão cerca de trezentas pessoas que falam Aruak e que acreditam que seu idioma define a sua identidade: são Mehinako que se orgulham de pronunciar bem as suas palavras e de celebrar seus cantos ritualísticos.

"Nós acreditamos é nos nossos sonhos,

Nós acreditamos é na natureza"

Mayawari Mehinako

Entre os rituais que vivem ou organizam no Alto Xingu, a cerimônia funerária Kwarup é uma das mais importantes. Os líderes das aldeias ou das casas são sepultados de uma forma especial: o corpo é amarrado em madeira como em uma escada e é enterrado de pé na cova; ou são cavadas duas covas para colocar um poste em cada uma, em um túnel entre os dois postes é amarrada uma rede onde o corpo será sepultado. Nos dois casos, panelas de cerâmicas são depositadas para tapar a boca das covas.

Após o sepultamento, um parente do morto deve atender ao pedido de construir uma cerca ao redor da sepultura. Quando alguém aceita o compromisso, é início do Kwarup que sempre se encerra na seca entre agosto e setembro em uma das festas que gera mais expectativas tanto no Parque do Xingu como para turistas afora.

"Como estamos preparando a festa, não pode faltar dança nenhum dia. Os espíritos ficam muito felizes"

Mayawari Mehinako

Dizer sim ao convite significa também organizar o rito de passagem e os alimentos e bebidas para todos os convidados. Enquanto a cerca é construída, são tocados instrumentos feitos de cápsulas de castanhas de pequi. Longas flautas - uruás - são sopradas quase diariamente como oferta, juntamente com comida, para os donos do Kwarup. Após isso, os maracás substituem a ambiência sonora que conecta mundos espirituais.

Um mensageiro percorre o maior número de áreas vizinhas para convidar. Na preparação, os coveiros pintam os corpos dos parentes do homenageado. No centro da aldeia anfitriã: para cada falecido homenageado, um tronco de dois metros de altura de madeira Kwarup. Um ao lado do outro e de pé são enfeitados: quanto mais importante for aquele que faz a passagem, mais esmero e sofisticação haverá em sua representação no tronco da árvore.

"Este ritual é uma homenagem a uma senhora líder que faleceu no ano passado. Nesse momento, sua alma está conosco, está feliz e nos acompanhando. Ao final da festa, ela volta ao céu"

Mayawari Mehinako

A cerca ao redor da sepultura é desmontada e, ao anoitecer, fogueiras são acesas para cada tronco-homenageado. Ao amanhecer, todos se tornam onças a rugir em um ritual de lutas conhecido como huka-huka.

Além das cercas, alimentos e rituais, faz parte da preparação deixar uma moça em puberdade reclusa: com a pele desbotada por não ter visto o sol durante meses, de cabelos muito longos, franja também há muito sem cortar. Ela aparece no final da festa oferecendo sementes de pequi aos líderes das aldeias convidadas.

Mais alimento é oferecido aos visitantes, mais moças que estavam reclusas começam a circular por entre a aldeia. Da morte à vida: o respeito e a fertilidade são marcadores de passagem em uma terra de tantas gentes.

Entrevistas

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